

"É menino ou menina?"
Poucas perguntas despertam tanta curiosidade durante uma gravidez. Para os pais, descobrir o sexo do bebê pode tornar a gestação ainda mais concreta. Começam as escolhas de nomes, as brincadeiras com os avós, os palpites da família e, para alguns, até os primeiros planos para preparar o quarto.
Mas afinal, a partir de quando é possível saber o sexo do bebê?
A resposta depende do exame utilizado. Atualmente, é possível obter uma indicação bastante precoce por meio da análise de DNA fetal presente no sangue materno. Já pelo ultrassom, é preciso esperar um pouco mais e, mesmo assim, o resultado depende da posição do bebê e da qualidade da imagem.
A chamada sexagem fetal é feita a partir de uma amostra de sangue da gestante e procura fragmentos de DNA fetal na circulação materna. No Brasil, laboratórios oferecem o exame a partir das primeiras semanas de gestação, embora o momento exato possa variar conforme o método e o laboratório.
O princípio é diferente de simplesmente "ver" o bebê. O exame analisa material genético presente no sangue da mãe para procurar sinais relacionados ao sexo fetal. Por isso, não depende da visualização dos órgãos genitais pelo ultrassom.
É importante, entretanto, não confundir a sexagem fetal com qualquer teste genético realizado durante a gestação. O DNA fetal livre circulante, utilizado em exames de rastreamento pré-natal não invasivo, também pode fornecer informação relacionada ao sexo fetal. A ACOG informa que esse tipo de teste pode ser realizado a partir da 10ª semana de gestação, embora sua finalidade principal seja o rastreamento de alterações cromossômicas. (acog.org)
Por isso, antes de fazer um exame apenas para descobrir o sexo do bebê, vale conversar com o obstetra sobre qual teste está sendo oferecido, o que ele realmente avalia e quais são suas limitações.
Aqui a resposta é um pouco menos exata.
Em alguns casos, já pode ser possível fazer uma estimativa durante o ultrassom do primeiro trimestre, especialmente por volta de 12 a 14 semanas, dependendo da posição do bebê e da qualidade da imagem. Estudos mostram que a identificação do sexo fetal por ultrassonografia entre 11 e 14 semanas pode apresentar boa precisão quando realizada por profissionais experientes e com condições adequadas de visualização. (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov)
Mas "ser possível identificar" não significa que sempre será possível.
O bebê pode estar em uma posição que dificulte a visualização ou simplesmente não oferecer uma imagem suficientemente clara. Por isso, o profissional pode preferir não dar uma resposta definitiva naquele momento.
No ultrassom morfológico do segundo trimestre, realizado geralmente entre 18 e 22 semanas, a avaliação anatômica do feto é muito mais detalhada. Se a posição permitir, o sexo fetal pode ser identificado durante o exame. A própria ACOG destaca que, quando o feto está em uma posição favorável, o ultrassom pode permitir essa identificação. (acog.org)
E aqui existe uma diferença importante: o objetivo principal do ultrassom não é descobrir se o bebê é menino ou menina. O exame serve para acompanhar o desenvolvimento e avaliar a anatomia fetal, entre outras informações importantes para o pré-natal.
Nem necessariamente.
Para muitos pais, descobrir o sexo o quanto antes é uma experiência emocionante. Para outros, esperar pelo ultrassom ou até pelo nascimento faz parte da maneira como desejam viver a gestação.
Do ponto de vista médico, a informação sobre o sexo fetal pode fazer parte de determinados exames e avaliações, mas, para a maioria das famílias, trata-se principalmente de uma curiosidade e de uma escolha pessoal.
O mais importante é não transformar a expectativa em ansiedade.
Um exame pode precisar ser repetido. Uma imagem pode não ser conclusiva. Um resultado de rastreamento pode precisar de confirmação. E exames de rastreamento, como os testes de DNA fetal livre circulante, não são equivalentes a exames diagnósticos. A ACOG ressalta justamente essa diferença e recomenda que os testes pré-natais sejam discutidos com o profissional que acompanha a gestação. (acog.org)
Existe uma curiosidade natural em saber quem está chegando. A família começa a imaginar o rosto, escolher nomes e construir expectativas. É um momento especial e, para muitos pais, descobrir o sexo do bebê é uma das primeiras experiências concretas de aproximação com a criança.
Mas vale lembrar que a gestação envolve muito mais do que essa descoberta.
Enquanto a família tenta adivinhar se será menino ou menina, existe um bebê crescendo, um pré-natal acontecendo e uma série de mudanças importantes no corpo e na vida da gestante. Consultas, exames, alimentação, vacinação, saúde emocional e acompanhamento médico continuam sendo muito mais importantes do que qualquer planejamento de cor de quarto ou lista de enxoval.
E talvez exista uma reflexão interessante para os pais nesse momento.
Antes mesmo de saberem se terão um filho ou uma filha, eles já estão começando a construir uma relação com aquela criança.
Conversar com o bebê, acompanhar os exames, participar das consultas quando possível, ajudar nas escolhas da gestação e simplesmente estar presente são formas de começar a exercer a paternidade antes mesmo do nascimento.
No fim das contas, descobrir o sexo pode ser uma notícia emocionante.
Mas a grande notícia da gestação é outra: existe uma nova pessoa chegando à família, e a preparação mais importante não está no enxoval. Está nos vínculos que começam a ser construídos desde agora.
Os métodos têm finalidades e limitações diferentes. A escolha do exame deve ser discutida com o profissional responsável pelo pré-natal.
A Escola da Paternidade acredita que a paternidade começa muito antes do nascimento. Ela se constrói nas escolhas, na presença e na disposição para participar de cada etapa da chegada de um filho.
Continue acompanhando a Revista Escola da Paternidade, conheça nossa agenda de eventos, cursos e palestras e siga nossos conteúdos nas redes sociais.
Porque descobrir quem está chegando é emocionante. Mas começar a descobrir como ser pai também faz parte dessa espera.





