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37,5 °C é febre? Saiba quando se preocupar e o que fazer

Mais importante do que o número no termômetro é observar a criança e entender o contexto.

19/08/2026 às 00h05 Atualizada em 19/08/2026 às 00h11
Por: Dr. Antônio Fernando Bolina
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As causas mais comuns de febre variam desde infecções virais em fase inicial até reações inflamatórias ou infecções ocultas (como urinária ou sinusite). Na maioria das vezes, trata-se de uma resposta de defesa passageira, mas que exige observação. Imagem:
As causas mais comuns de febre variam desde infecções virais em fase inicial até reações inflamatórias ou infecções ocultas (como urinária ou sinusite). Na maioria das vezes, trata-se de uma resposta de defesa passageira, mas que exige observação. Imagem:

Poucas coisas deixam os pais tão apreensivos quanto ver a temperatura do filho subir. E uma pergunta aparece com frequência no consultório: “Doutor, 37,5 °C é febre?”

A resposta não é tão simples quanto parece. A temperatura corporal pode variar de acordo com o local da medição, o horário do dia, o ambiente, a atividade física e até a forma como a criança estava agasalhada. Por isso, não existe um único número que, isoladamente, determine se uma criança está doente.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria considera a temperatura axilar acima de 37,3 °C como febre, mas ressalta que a interpretação deve levar em conta o método de medição e o quadro clínico da criança. Outras referências internacionais utilizam 38 °C como principal ponto de corte para febre.

Então, o que fazer diante de 37,5 °C?

Antes de pensar em medicamento, vale olhar para a criança.

Ela está brincando? Está ativa? Está mamando ou se alimentando normalmente? Está hidratada? Ou está muito abatida, irritada, sonolenta ou com algum outro sintoma?

Uma temperatura de 37,5 °C, principalmente quando medida na axila, não deve ser analisada isoladamente. Se a criança estiver bem, uma boa conduta é retirar o excesso de roupas, oferecer líquidos e repetir a temperatura algum tempo depois, utilizando um termômetro digital e fazendo a medição corretamente.

E aqui está um ponto importante: não precisamos medicar a criança simplesmente porque o termômetro mostrou determinado número.

A decisão de utilizar um antitérmico deve considerar principalmente o desconforto e o estado geral da criança, e não apenas a temperatura registrada. A própria Sociedade Brasileira de Pediatria alerta para o fenômeno da “febrefobia”, quando o medo da febre leva a intervenções desnecessárias.

Febre não é uma doença

A febre é uma resposta do organismo diante de uma agressão, frequentemente uma infecção. Ela funciona como um sinal de que alguma coisa está acontecendo, e não como a doença em si.

Por isso, mais importante do que simplesmente “baixar a febre” é entender o que está causando aquele quadro e acompanhar a evolução da criança.

Uma criança com 38,5 °C que está brincando, conversando e aceitando líquidos pode estar em uma situação menos preocupante do que outra com temperatura mais baixa, mas que está muito prostrada ou apresenta dificuldade para respirar, por exemplo.

Quando devo me preocupar?

Alguns sinais merecem avaliação médica, independentemente do número marcado no termômetro.

Procure atendimento se a criança apresentar:

  • dificuldade para respirar;
  • sonolência excessiva, dificuldade para acordar ou pouca resposta;
  • irritabilidade intensa ou choro inconsolável;
  • convulsão;
  • rigidez na nuca;
  • manchas ou pintinhas na pele associadas ao quadro;
  • vômitos persistentes;
  • sinais de desidratação;
  • dor intensa;
  • piora importante do estado geral.

Também é importante atenção especial aos bebês muito pequenos. Em crianças com menos de 3 meses, uma temperatura de 38 °C ou mais exige avaliação médica, mesmo que o bebê pareça estar bem.

E a convulsão febril?

Esse é outro grande medo dos pais.

A convulsão febril pode acontecer em algumas crianças, principalmente entre aproximadamente 6 meses e 5 anos. E um detalhe importante: ela não acontece simplesmente porque a temperatura chegou a determinado número. O risco está relacionado também à predisposição individual e à velocidade de elevação da temperatura.

Por isso, não devemos transformar o termômetro em uma espécie de “placar de perigo”. O mais importante é observar a criança como um todo.

O que os pais devem fazer?

Em primeiro lugar, mantenham a calma.

Meçam a temperatura corretamente, evitem excesso de roupas, ofereçam líquidos e observem o comportamento da criança. Não utilizem antibióticos por conta própria e não alternem medicamentos sem orientação médica.

E, principalmente, aprendam a reconhecer os sinais de alerta.

O número do termômetro é apenas uma informação. A criança é o conjunto da história.

Como pediatra, costumo reforçar que cuidar de uma criança com febre não significa apenas tentar fazer o número voltar ao normal. Significa observar, hidratar, oferecer conforto e entender quando aquela situação precisa de avaliação profissional.

A febre pode assustar. Mas informação ajuda a substituir o medo por cuidado.

Dr. Antônio Fernando Bolina
Pediatra e Gastropediatra

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