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Seu filho tem amigos? Amizades também fazem parte do desenvolvimento

Ensinar uma criança a construir boas relações é também ajudá-la a crescer com mais segurança, autonomia e pertencimento.

16/08/2026 às 22h33 Atualizada em 16/08/2026 às 23h56
Por: Escola da Paternidade
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Imagens: Monkey Business - As amizades são essenciais na vida dos filhos. Elas ajudam no desenvolvimento emocional e social, fortalecem a autoestima e ensinam a empatia. Fora do ambiente familiar, os amigos dão às crianças e aos jovens um espaço para prat
Imagens: Monkey Business - As amizades são essenciais na vida dos filhos. Elas ajudam no desenvolvimento emocional e social, fortalecem a autoestima e ensinam a empatia. Fora do ambiente familiar, os amigos dão às crianças e aos jovens um espaço para prat

Quando pensamos no desenvolvimento dos filhos, é comum prestar atenção à alimentação, ao sono, à escola, às notas e às atividades que eles fazem. Perguntamos se estão aprendendo, se estão se comportando bem e se estão cumprindo as tarefas. Mas existe uma dimensão importante da infância que pode passar despercebida: as amizades.

"Quem são os amigos do seu filho?" talvez seja uma pergunta tão importante quanto "como ele está indo na escola?". Não porque toda criança precise ter muitos amigos ou porque exista uma quantidade ideal de relações que os pais devam buscar. Algumas crianças são naturalmente mais reservadas, preferem grupos pequenos e precisam de mais tempo para estabelecer vínculos.

O que importa é que elas tenham oportunidades de conviver com outras crianças e possam, aos poucos, aprender a construir relações baseadas em confiança, respeito e reciprocidade.

Amizade também se aprende

Ninguém nasce sabendo ser amigo. Crianças pequenas ainda estão aprendendo a dividir, esperar, negociar, lidar com frustrações e compreender que o outro pode querer uma coisa diferente daquilo que elas querem.

Por isso, conflitos fazem parte das primeiras amizades. Uma criança pode ficar chateada porque o colega não quis brincar da brincadeira que ela escolheu. Pode sentir ciúme quando o amigo brinca com outra criança. Pode querer sempre ganhar ou ter dificuldade para emprestar um brinquedo.

Essas situações são oportunidades de aprendizagem.

Ao longo da infância, a criança vai descobrindo que uma relação não existe apenas para atender às suas próprias vontades. É preciso ouvir, ceder algumas vezes, respeitar limites, pedir desculpas, reconhecer quando machucou alguém e também aprender a dizer não quando alguma coisa não lhe faz bem.

São habilidades que serão importantes muito além da infância.

Os pais não precisam escolher os amigos dos filhos

É natural que os pais observem as companhias dos filhos e se preocupem quando percebem uma relação que parece prejudicial. Mas existe uma diferença entre acompanhar as amizades e tentar controlar completamente com quem a criança pode ou não conviver.

À medida que cresce, o filho começa a construir relações que não passam diretamente pelos pais. Isso faz parte do desenvolvimento da autonomia.

Em vez de simplesmente dizer "não ande com aquela criança", pode ser mais produtivo conversar sobre aquilo que está acontecendo. Como seu filho se sente quando está com determinado amigo? Ele consegue ser ele mesmo? É respeitado? Também respeita o outro? Sente medo de ficar sozinho se discordar? A relação é baseada apenas em fazer aquilo que o outro quer?

Essas conversas ajudam a criança a desenvolver critérios próprios para reconhecer relações saudáveis.

E isso é muito mais importante do que simplesmente obedecer à escolha dos pais.

Ter poucos amigos não é necessariamente um problema

Existe também um cuidado importante nessa conversa. A infância não precisa ser uma competição de popularidade.

Uma criança pode ter muitos colegas e poucos amigos próximos. Outra pode preferir passar tempo com uma ou duas pessoas. Há crianças mais expansivas e outras mais tímidas, e características de personalidade fazem parte dessa diversidade.

O sinal de atenção não é necessariamente o número de amigos.

É perceber se a criança quer se relacionar, mas não consegue, se demonstra sofrimento por se sentir isolada ou se apresenta dificuldades persistentes para estabelecer vínculos. Nesses casos, vale conversar com a escola e observar com mais cuidado o que está acontecendo.

A escola pode ser uma importante aliada porque acompanha a criança em um ambiente de convivência coletiva. Professores conseguem observar como ela participa das brincadeiras, se consegue se aproximar dos colegas, se costuma ficar isolada e como reage aos conflitos.

Isso não significa que toda criança que brinca sozinha precise de intervenção. Às vezes, ela simplesmente está confortável naquele momento.

A questão é entender o contexto.

E se meu filho não for convidado para as festas?

Essa é uma das situações que podem doer especialmente nos pais.

Ver o filho voltar da escola dizendo que todos foram convidados para uma festa menos ele pode despertar tristeza, preocupação e até vontade de resolver imediatamente a situação.

Mas antes de entrar em ação, é importante ouvir a criança.

Ela ficou triste? Sentiu-se excluída? Não se importou? A situação acontece frequentemente ou foi algo pontual?

A infância também é feita de rejeições e frustrações que, embora dolorosas, podem ensinar habilidades importantes. Isso não significa aceitar situações de bullying ou exclusão sistemática. Significa permitir que a criança desenvolva recursos para lidar com as relações sem que os adultos precisem solucionar todos os conflitos por ela.

Quando necessário, os pais podem ajudar a criança a pensar em alternativas: aproximar-se de outros colegas, convidar alguém para brincar, participar de outra atividade ou conversar com um adulto de confiança.

Proteger não significa eliminar todas as frustrações. Também significa ensinar os filhos a atravessá-las.

A tecnologia mudou a maneira de fazer amigos

Hoje, a amizade também pode acontecer por meio das telas. Crianças e adolescentes conversam, jogam e participam de comunidades digitais, muitas vezes mantendo relações com pessoas que não encontram presencialmente.

Isso amplia as possibilidades de conexão, mas também traz novos desafios para os pais.

A criança precisa aprender que as mesmas regras básicas de respeito que valem para uma amizade presencial também devem existir no ambiente digital. Precisa entender que não deve compartilhar informações pessoais indiscriminadamente, que pode interromper uma conversa que a deixe desconfortável e que deve procurar um adulto quando alguma interação ultrapassar seus limites.

A tecnologia não precisa ser tratada como inimiga das amizades. Mas, especialmente entre crianças, precisa existir acompanhamento compatível com a idade e maturidade.

O papel dos pais é criar oportunidades

Nem sempre a criança vai encontrar amigos espontaneamente. Especialmente nos primeiros anos, os pais podem ajudar criando oportunidades de convivência.

Um convite para brincar em casa, uma ida ao parque, uma atividade esportiva, uma aula de música ou simplesmente permitir que duas crianças passem algumas horas juntas podem abrir espaço para que um vínculo apareça.

Não é necessário transformar cada encontro em uma tentativa de "arrumar um amigo" para o filho. Crianças precisam de tempo livre e experiências espontâneas para descobrir com quem gostam de estar.

E os pais também podem observar e ensinar pelo exemplo.

Crianças aprendem muito sobre relacionamento vendo como os adultos tratam amigos, vizinhos, familiares e desconhecidos. Quando presenciam um pai que sabe ouvir, pedir desculpas, demonstrar carinho e respeitar limites, também estão recebendo referências sobre como construir relações.

Amigos são parte da rede de proteção

Ao longo da vida, os amigos podem ocupar diferentes lugares. Na infância, podem ser companheiros de brincadeira e descoberta. Na adolescência, tornam-se muitas vezes importantes referências para a construção da identidade e da autonomia.

Ter relações saudáveis também pode oferecer à criança um sentimento importante de pertencimento: a sensação de que existem pessoas fora da família com quem ela pode compartilhar experiências, interesses e dificuldades.

Por isso, incentivar boas amizades não significa obrigar os filhos a socializar ou interferir em cada relação.

Significa ensinar a reconhecer o que faz uma relação ser boa.

Uma amizade saudável não precisa ser perfeita. Amigos discordam, brigam, se afastam e às vezes se decepcionam. O que importa é que exista respeito, espaço para ser quem se é, capacidade de conversar e ausência de medo como base da relação.

Talvez seja por isso que perguntar "seu filho tem amigos?" seja apenas o começo da conversa.

Uma pergunta ainda mais importante pode ser:

"Seu filho sabe o que é ser um bom amigo e sabe reconhecer quando alguém é bom para ele?"

Se conseguir responder a essa pergunta ao longo da infância, talvez você esteja ensinando algo que nenhuma prova da escola consegue medir, mas que acompanhará seu filho por toda a vida.


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Porque aprender a se relacionar também faz parte de aprender a viver.

 
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