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Pai presente não é pai perfeito

Existe uma imagem de pai que parece cada vez mais difícil de alcançar.

11/08/2026 às 12h04 Atualizada em 11/08/2026 às 12h08
Por: Escola da Paternidade
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Uma das maiores contribuições que um pai possa oferecer ao filho é mostrar que ninguém precisa ser perfeito
Uma das maiores contribuições que um pai possa oferecer ao filho é mostrar que ninguém precisa ser perfeito

É o pai que trabalha, participa da criação dos filhos, acompanha a escola, brinca, conversa, ajuda nas tarefas de casa, está presente nas consultas médicas, sabe o que a criança gosta de comer, conhece os amigos, acompanha as atividades e ainda encontra tempo para ser um bom marido, cuidar da própria saúde, manter a vida profissional em dia e, de preferência, fazer tudo isso com paciência.

É quase um super-herói.

O problema é que esse pai não existe.

Ou, pelo menos, não existe o tempo todo.

A busca por uma paternidade mais participativa é importante. Homens precisam, cada vez mais, assumir responsabilidades que durante muito tempo foram colocadas quase exclusivamente sobre as mulheres. Mas existe um risco quando a cobrança por participação se transforma em uma nova forma de perfeccionismo.

O pai pode começar a acreditar que, para ser considerado presente, precisa estar sempre disponível. Que não pode errar. Que precisa saber o que fazer em todas as situações. Que precisa dar conta de tudo.

E isso também não é paternidade real.

Você não precisa ser um pai perfeito

Crianças não precisam de pais que acertam sempre.

Precisam de pais que estejam dispostos a construir uma relação com elas.

Um pai pode perder a paciência. Pode não saber responder a uma pergunta. Pode chegar cansado do trabalho. Pode esquecer uma reunião na escola. Pode tomar uma decisão errada. Pode perceber, depois de uma conversa, que poderia ter agido de outra maneira.

O que faz diferença é o que acontece depois.

Um pai presente consegue reconhecer o próprio erro, pedir desculpas, conversar e tentar fazer diferente.

Isso também educa.

Quando um pai diz ao filho “eu errei”, ele não perde autoridade. Pelo contrário. Mostra que responsabilidade não significa nunca falhar. Significa assumir aquilo que fez.

Talvez essa seja uma das mudanças mais importantes na maneira como pensamos a paternidade.

Não se trata de substituir o antigo modelo do pai ausente pelo modelo impossível do pai perfeito.

Trata-se de construir um pai responsável, disponível e humano.

Presença não é estar o tempo inteiro

Outra confusão comum é imaginar que presença significa quantidade absoluta de tempo.

Nem sempre é possível para um pai estar fisicamente com os filhos durante boa parte do dia. Há trabalho, deslocamentos, compromissos e outras responsabilidades.

Mas estar presente não significa necessariamente estar o tempo inteiro.

Significa estar de verdade quando se está.

Uma conversa no caminho para a escola pode ser importante. Preparar o jantar juntos pode virar memória. Colocar a criança para dormir pode ser um momento de conexão. Perguntar como foi o dia e realmente escutar a resposta também é presença.

Às vezes, dez minutos de atenção verdadeira dizem mais do que duas horas em que o pai está no mesmo ambiente, mas olhando para o celular.

A criança percebe.

Ela percebe quando o adulto está disponível para escutá-la. Percebe quando suas perguntas são respondidas com interesse. Percebe quando seu pai conhece seus medos, suas preferências, suas descobertas e até aquelas pequenas histórias que parecem não ter importância.

Presença tem menos relação com relógio e mais relação com vínculo.

O pai também pode pedir ajuda

Existe ainda outra armadilha.

A ideia de que um bom pai precisa saber fazer tudo sozinho.

Não precisa.

Paternidade também envolve aprender. E aprender significa, muitas vezes, perguntar.

Perguntar para a mãe da criança. Para outro pai. Para um profissional de saúde. Para um professor. Para alguém mais experiente.

Significa reconhecer que algumas coisas não foram ensinadas aos homens.

Muitos pais cresceram sem observar seus próprios pais trocando fraldas, preparando comida, levando filhos ao médico, participando da rotina escolar ou conversando sobre sentimentos.

Eles estão aprendendo enquanto fazem.

Isso não é uma desculpa para permanecer distante. É uma oportunidade para começar.

O pai que não sabe pode aprender.

O pai que nunca participou pode começar a participar.

O pai que percebe que esteve ausente pode mudar sua maneira de estar.

A paternidade não é uma prova na qual o homem precisa tirar nota dez todos os dias.

É uma relação que se constrói ao longo do tempo.

A criança não precisa de um super-herói

Talvez uma das maiores contribuições que um pai possa oferecer ao filho seja justamente mostrar que ninguém precisa ser perfeito.

O pai pode demonstrar afeto.

Pode dizer que está cansado.

Pode admitir que não sabe.

Pode pedir desculpas.

Pode tentar novamente.

Pode demonstrar que cuidar também faz parte das responsabilidades de um homem.

Pode ensinar, pelo próprio comportamento, que cuidar de alguém não diminui ninguém.

Ao fazer isso, ele não está apenas criando uma criança.

Está também ajudando a formar a ideia que essa criança terá sobre relacionamentos, responsabilidade, cuidado e sobre o que significa ser homem.

Por isso, talvez seja hora de abandonar uma pergunta que costuma acompanhar a paternidade: “Estou fazendo tudo certo?”

E substituí-la por uma pergunta mais simples e mais honesta:

“Estou realmente presente na vida do meu filho?”

Porque um pai presente não é aquele que consegue dar conta de tudo.

É aquele que entende que ser pai é uma responsabilidade contínua, que aceita que vai errar e que, mesmo assim, escolhe estar ali.

Não perfeito.

Mas presente.

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